Partialmente Nublado com Chances de Chuvas e Trovoadas

Sinopse

Renato, o protagonista desse longa-metragem, sonha com o oposto dos seus dias atuais, cansado da rotina em que vive. Acordar, lavar o rosto, ler a previsão de tempo sentado no vaso sanitário, escrever bilhetes para pessoas desconhecidas que seleciona no catálogo de endereços, caminhar até o clube, nadar. Mas sua rotina começa a mudar com ocorrências extraordinárias: figuras desconhecidas o perseguem, um dedo humano é encontrado na rua, uma mulher misteriosa e lasciva o visita. Os acontecimentos se tornam freqüentes, até que se vê expulso de sua própria casa por estranhos personagens, que não sabemos se são reais ou imaginários. Perdido no espaço abstrato entre o sonho e a vigília, ele vai ao encontro da imensa Serra do Cipó. Um percurso que lhe ensina o quanto um mundo particular, apático e redundante é capaz de fechar em si mesmo e se deparar com o embate de dois universos: terra e água.

Homem anfíbio, habitante dos interstícios da consciência, submerso na dura realidade do cotidiano, repleta de corrupção, violência, concreto e fezes na calçada. Afogado numa rotina de tédio, vai ao fundo, é sugado pelo ralo, tenta emergir. Refugia-se em um universo líquido. Nas tempestades, cachoeiras, piscinas, na privada, que seja, nada como um peixe, fluindo onde só há o torpor, o desejo, a sensualidade. Mas nada dura muito. E acorda novamente em casa, o telefone tocando, as mesmas más notícias no jornal.

Em seus sonhos, sobrevoa uma serra maravilhosa, onde uma cachoeira despenca de centenas de metros, entre aves. Às vezes, uma tempestade desaba. Aprecia o salto da cachoeira, o mergulho dos

pássaros no ar, a eletricidade que se lança do céu em raios. A queda da água é o limiar entre o rio que corre nas alturas e o estouro nas pedras embaixo. Os raios cruzam o espaço entre o céu e a terra. A chuva liga as nuvens carregadas à terra. Os pássaros, raios e gotas são os personagens da fenda entre céu e terra – seus semelhantes, moradores do limbo de dois mundos.

Renato deseja Maria, a mulher de cada mundo: na água, as braçadas graciosas, o bater de pernas sincrônico, totalmente imersa. Na terra, seu estilo é encantador, as passadas firmes de andarilha. Renato, o homem volúvel, quer se salvar – que Maria o conduza para fora do espaço demente em que vive. Maria, a salvadora, é também personagem de seus sonhos e pesadelos.

Um homem atormentado, uma mulher que poderia salvá-lo, os interstícios. Todos a espera de uma chuva que lave tudo. E depois acordar com a sensação de que se sonhou muito.

Um filme que busca o diálogo entre mundos opostos, a loucura e a sanidade, o real e o fictício. Quando os dois se misturam, sair do labirinto fica cada vez mais difícil. Afinal, a ave e o peixe estão mesmo condenados ao desencontro?

Sobre o Filme

“PARCIALMENTE NUBLADO COM PANCADAS DE CHUVA E TROVOADAS” é um filme de ficção que versa sobre as diversas maneiras de harmonização entre os indivíduos e o mundo, buscando a reflexão sobre o homem, seu equilíbrio psicológico / emocional e sua relação com a cidade / natureza.

A narrativa parte do cotidiano de um homem comum, Renato, que habita o centro da cidade de Belo Horizonte. Na solidão de seus dias e noites, a repetição mecânica de seus rituais diários lhe evidencia a sutil linha que separa o real e imaginário, colocando-o à beira de um abismo, o de si mesmo.

O fio desencadeador da narrativa está no grande conflito interno de Renato que o leva a buscar, desesperadamente, por algo que o lhe acalme. Sempre procurando frestas de céu na opressora paisagem visual e poluição sonora da cidade grande, Renato parte para uma viagem de descobertas. Em seus devaneios, acidentalmente, chega à reserva florestal da Serra do Cipó, em Minas Gerais. Nesse cenário, vive, em sonho idílico ou obnubilada realidade, situações que lhe permitem experienciar livre e intesamente sentimentos genuínos, como a liberdade, o medo e o amor.

Ao contrapor a cidade à natureza, “PARCIALMENTE NUBLADO COM PANCADAS DE CHUVA E TROVOADAS” trata do equilíbrio emocional e psicológico dos indivíduos. A natureza não é vista como algo gratuito ou oportunista, e sim como a consequência de um encontro inesperado do personagem Renato com a verdadeira chance de mudança de seu cotidiano opaco.

Os elementos da construção narrativa e do personagem principal do filme serão desenvolvidos e ganharão destaque nas escolhas formais e de direcionamento cinematográfico. Do posicionamento da câmera à condução da montagem, o que será explora é a dicotomia entre o “fora” e o “dentro”. A vida urbana, enquadrada em espaços apertados e claustrofóbicos, em oposição à imensidão das paisagens naturais das serras de Minas Gerais; a solidão entre quatro paredes versus a plenitude alcançada em espaço aberto; os muros da razão sendo tomados pelos jardins dos sentimentos.

Apesar de sua dimensão fantástica, o filme se pauta no ordinário, nos elementos cotidianos e no realismo. Daí, a opção por uma direção de fotografia sóbria, uma edição de som limpa, direção de arte imperceptível. Tudo sem exageros. O que se busca, através de um exercício criativo de direção e montagem sobre elementos da vida comum, é alcançar o caráter insólito das coisas reais.

 

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